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Guia prático

CRM, RQE e como saber se o ortopedista é especialista de verdade

Existe uma verificação gratuita, pública e que leva menos de um minuto capaz de responder se o médico que você vai consultar tem registro ativo e formação comprovada em ortopedia. Quase ninguém faz. Este guia mostra o passo a passo, explica o que o resultado significa e, principalmente, o que ele não significa.

Última revisão: 17 de agosto de 2026

Por que essa checagem importa

Quando alguém procura um ortopedista, costuma pesquisar avaliações, olhar fotos do consultório e perguntar para conhecidos. Tudo isso mede coisas reais, mas mede as menos decisivas. A informação com maior peso sobre o risco de uma decisão errada é objetiva, pública e gratuita: se aquele médico tem registro ativo e se tem formação registrada na área do seu problema.

Isso importa mais em ortopedia do que em muitas outras especialidades, por um motivo simples: uma parte importante das decisões envolve procedimentos invasivos e irreversíveis. Uma indicação cirúrgica equivocada não se desfaz. E existe um mercado de procedimentos ortopédicos vendidos diretamente ao público, com marketing agressivo, em que a formação de quem indica varia bastante.

Nenhum diretório comercial vai te ensinar a fazer essa verificação, porque ela reduz a dependência do próprio diretório. Aqui ela é a primeira coisa que ensinamos.

CRM, RQE e título de especialista

Três coisas diferentes que costumam ser confundidas:

Diferença entre CRM, RQE e título de especialista
O que éQuem emiteO que comprova
CRM Conselho Regional de Medicina do estado Que a pessoa é médica e está habilitada a exercer a medicina naquele estado. Todo médico em atividade tem.
RQE Conselho Regional de Medicina, com base na residência ou no título Que aquele médico comprovou formação em uma especialidade ou área de atuação específica. É o número que permite anunciar-se como especialista.
Título de especialista Sociedade da especialidade, no caso a SBOT, em conjunto com a AMB Aprovação em prova de título. É um dos caminhos para obter o RQE, ao lado da conclusão da residência médica reconhecida.

Em ortopedia, o caminho mais comum é: seis anos de faculdade de medicina, três anos de residência em ortopedia e traumatologia, prova de título pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, e registro do RQE no conselho. Muitos seguem com mais um ou dois anos de formação em uma área de atuação, como joelho, coluna, ombro, mão, pé, quadril ou ortopedia pediátrica, o que pode gerar um segundo RQE.

Como consultar, passo a passo

  1. Anote o nome completo do médico ou o número do CRM. O número costuma estar na receita, no carimbo, no cartão do consultório, no perfil profissional e nos materiais de divulgação. Pela lei, ele deve aparecer em qualquer publicidade médica.
  2. Abra a busca pública de médicos do Conselho Federal de Medicina, em portal.cfm.org.br. A ferramenta é gratuita e não pede cadastro. O Conselho Regional de Medicina do Paraná também mantém consulta própria, em crmpr.org.br, útil quando você já sabe que o registro é do estado.
  3. Informe o nome completo ou o número do CRM e selecione o estado. Nomes muito comuns retornam vários resultados: confira pelo número do CRM para não confundir homônimos.
  4. Leia a situação do registro. O que você quer ver é um registro ativo e regular.
  5. Procure a lista de especialidades e áreas de atuação. É ali que aparece ortopedia e traumatologia, com o RQE correspondente, e a área de atuação, quando houver.
Exemplo do que aparece na consulta pública de médicos Representação de uma tela de resultado de consulta pública, com dados fictícios. Campos exibidos: nome do profissional, número de CRM do Paraná, situação do registro como ativo, inscrição primária, especialidade ortopedia e traumatologia com número de RQE, e área de atuação cirurgia do joelho com outro número de RQE. Consulta pública de médicos dados fictícios NOME REGISTRO SITUAÇÃO ESPECIALIDADE ÁREA DE ATUAÇÃO Nome completo do profissional CRM-PR 00000 Ortopedia e Traumatologia Cirurgia do Joelho RQE 00000 RQE 00001 Ativo
Imagem ilustrativa com dados fictícios. O leiaute real da consulta muda com o tempo, mas os campos essenciais são sempre os mesmos: identificação, situação do registro e especialidades com o respectivo RQE.

O que aparece na consulta

Situação do registro. Ativo é o que você espera ver. Situações como cancelado, suspenso ou transferido merecem atenção e explicação.

Especialidade com RQE. A ortopedia e traumatologia deve aparecer nominalmente, com o número do registro de qualificação.

Área de atuação com RQE. Quando existe, aparece separadamente. É o que confirma a subespecialidade.

Estado de inscrição. Um médico pode ter inscrição principal em um estado e secundária em outro. Se o profissional atende em Curitiba, é razoável que exista inscrição no Paraná.

Uma advertência sobre homônimos

Nomes comuns produzem várias linhas de resultado. Confira sempre o número do CRM antes de concluir qualquer coisa, e desconfie de conclusões tiradas apenas pelo nome. Um erro aqui é injusto com o profissional e inútil para você.

Áreas de atuação da ortopedia

Dentro da ortopedia e traumatologia, as áreas de atuação reconhecidas incluem, entre outras, cirurgia do joelho, cirurgia da mão, cirurgia do ombro e do cotovelo, cirurgia do quadril, cirurgia do pé, cirurgia da coluna, ortopedia pediátrica, oncologia ortopédica e medicina do esporte, esta última compartilhada com outras especialidades. Nem todo médico que atua bem em uma área possui o registro formal dela: o registro depende do tipo de formação realizada e de o profissional ter solicitado a inscrição ao conselho.

O guia qual médico procurar para cada dor ajuda a identificar qual dessas áreas cuida do seu problema, e a página ortopedistas em Curitiba reúne a lista por área.

Quando não aparece RQE

Encontrar um CRM ativo sem RQE em ortopedia não significa automaticamente que há algo errado. Significa que aquele profissional não tem, junto ao conselho, o registro de especialista naquela área. Três leituras possíveis:

  • É um médico generalista que atende queixas ortopédicas simples. Isso é legítimo e acontece bastante na atenção primária e em pronto atendimento.
  • É um especialista que ainda não registrou o título. Acontece, principalmente logo após a residência, e se resolve rápido.
  • É alguém que se apresenta como especialista sem ter formação registrada. Aqui está o problema real, e é infração ética anunciar-se assim.

A conduta razoável é perguntar diretamente, sem constrangimento: onde o senhor fez residência, e o seu RQE em ortopedia está registrado. Profissional com formação responde isso com naturalidade. Resposta evasiva é, por si só, uma informação.

O ponto mais importante deste texto

O RQE é um piso, não um teto. Ele elimina o pior risco e não mede a qualidade de quem passou por ele. Depois de confirmar o registro, o que resta avaliar acontece na consulta: se o médico examina você, se explica as alternativas, se apresenta o que acontece sem operar e se responde às suas perguntas sem pressa.

O que a publicidade médica pode e não pode

As normas do Conselho Federal de Medicina sobre publicidade existem para proteger o paciente de decisões tomadas por sedução em vez de informação. Elas valem para o médico, para a clínica e, na prática, para qualquer um que divulgue serviços médicos. O que elas vedam, em resumo:

  • Anunciar-se como especialista sem o RQE correspondente.
  • Publicidade comparativa e expressões de superioridade, como o melhor da cidade, o número um ou o mais indicado.
  • Divulgar fotos de antes e depois, e usar imagens de pacientes para atrair clientela.
  • Publicar depoimentos de pacientes como forma de promoção.
  • Prometer resultado, garantir cura ou sugerir infalibilidade de uma técnica.
  • Anunciar preço, desconto, promoção e formas de pagamento como chamariz.
  • Divulgar técnica como exclusiva ou revolucionária sem respaldo científico e sem reconhecimento pelo conselho.

Isso significa que aquele post prometendo eliminar a dor no joelho sem cirurgia com um método exclusivo não é apenas exagero de marketing: é um sinal de alerta com respaldo normativo. E também significa que qualquer site que publique um ranking dos melhores ortopedistas está colocando os próprios médicos listados em uma situação delicada.

Se você quiser relatar uma publicidade médica irregular, o caminho é o Conselho Regional de Medicina do estado, que no Paraná é o CRM-PR.

Checklist antes de marcar

Cinco minutos que valem por muita pesquisa

  • Consultei o CRM na busca pública e o registro está ativo.
  • Existe RQE em ortopedia e traumatologia.
  • Se o meu caso é cirúrgico ou arrastado, existe área de atuação compatível.
  • Confirmei com o consultório o endereço, o convênio exato e a política de retorno.
  • Não encontrei promessa de resultado, antes e depois ou autopromoção comparativa nos materiais do profissional.
  • Anotei as minhas perguntas, incluindo o que acontece se eu não operar.

Perguntas frequentes

O que é RQE?

RQE é a sigla de Registro de Qualificação de Especialista. É o número que o Conselho Regional de Medicina atribui ao médico quando ele comprova a conclusão de uma residência médica reconhecida ou a obtenção de um título de especialista pela sociedade da área. Cada especialidade e cada área de atuação registrada gera um RQE próprio, e todos eles aparecem na consulta pública do Conselho Federal de Medicina.

Como consultar o CRM e o RQE de um médico de graça?

Pelo portal do Conselho Federal de Medicina, na busca pública de médicos, informando o nome completo ou o número do CRM e o estado. O resultado mostra a situação do registro, se está ativo, e as especialidades e áreas de atuação registradas com os respectivos números de RQE. O Conselho Regional de Medicina do Paraná também mantém consulta própria. É gratuito, não exige cadastro e leva menos de um minuto.

Um médico sem RQE pode atender ortopedia?

Sim. No Brasil, o médico com CRM ativo pode exercer a medicina em qualquer área. O que ele não pode é anunciar-se como especialista sem ter o registro correspondente, porque isso é infração ética. Na prática, a ausência de RQE em ortopedia significa que aquele profissional não comprovou formação específica ao conselho, e essa é uma informação relevante quando você vai decidir sobre uma cirurgia.

Qual a diferença entre especialidade e área de atuação?

A especialidade é a formação principal, no caso ortopedia e traumatologia, obtida em uma residência de três anos ou por título de especialista. A área de atuação é uma subdivisão dentro dela, como cirurgia do joelho, cirurgia da mão, coluna, ombro ou ortopedia pediátrica, obtida com formação adicional. Cada uma pode gerar um RQE próprio, e as duas aparecem na consulta pública.

O RQE garante que o médico é bom?

Não. O RQE garante formação comprovada, o que é um piso importante, mas não mede habilidade cirúrgica, atualização, comunicação ou resultado. Nenhuma consulta pública mede isso. O registro elimina o pior risco, que é entregar o seu problema a alguém sem qualquer formação na área, e deixa o resto da avaliação para a consulta em si.

É permitido um site eleger o melhor ortopedista da cidade?

Não do ponto de vista da ética médica. As normas do Conselho Federal de Medicina vedam a publicidade comparativa e a autopromoção que sugira superioridade sobre outros profissionais, incluindo expressões como o melhor, o número um e o mais indicado. Rankings de médicos publicados por sites comerciais costumam refletir pagamento ou popularidade, não qualidade técnica, e expõem os próprios médicos listados a questionamento ético.

Para levar daqui

  • A verificação de CRM e RQE é pública, gratuita e leva menos de um minuto.
  • CRM diz que é médico; RQE diz que tem formação registrada naquela especialidade ou área.
  • Confira sempre pelo número do CRM, porque homônimos são comuns.
  • Ausência de RQE não é irregularidade em si, mas anunciar-se como especialista sem ele é.
  • Publicidade com promessa de resultado, antes e depois ou superioridade é sinal de alerta e é vedada.
  • O RQE é um piso: o resto se avalia na consulta, pela qualidade da explicação e do exame.

Referências

  1. Conselho Federal de Medicina. Busca pública de médicos e de registro de qualificação de especialista. portal.cfm.org.br.
  2. Conselho Regional de Medicina do Estado do Paraná. Consulta de registro e serviços ao público. crmpr.org.br.
  3. Conselho Federal de Medicina. Código de Ética Médica, Resolução CFM nº 2.217/2018.
  4. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.336/2023, que dispõe sobre publicidade e propaganda médicas.
  5. Conselho Federal de Medicina e Associação Médica Brasileira. Normas sobre reconhecimento de especialidades e áreas de atuação.
  6. Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Título de especialista e áreas de atuação. sbot.org.br.

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