Área de atuação
Medicina esportiva e lesões do esporte em Curitiba
Aqui estão as fichas dos médicos do esporte de Curitiba. Logo abaixo delas vem o guia: lesão por sobrecarga, o que realmente previne e por que o retorno ao esporte se decide por teste, não por calendário.
Última revisão: 17 de agosto de 2026
Médicos do esporte em Curitiba
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Quero minha fichaMédico do esporte e ortopedista do esporte
Duas figuras diferentes que se sobrepõem bastante. O médico do esporte tem formação voltada ao atleta como um todo: avaliação pré-participação, carga de treino, saúde cardiovascular no exercício, nutrição esportiva em conjunto com outros profissionais, e o tratamento não cirúrgico das lesões. O ortopedista com atuação em esporte vem da ortopedia e concentra a prática nas lesões do aparelho locomotor, incluindo as cirúrgicas, como ligamento cruzado, menisco, instabilidade de ombro e lesões de tornozelo.
Na prática, a escolha depende da queixa. Lesão aguda com estalo, inchaço rápido e falseio tende a ser caso do ortopedista. Dor recorrente ligada a treino, retorno mal planejado e cansaço que não passa tendem a ser caso do médico do esporte. Os dois conversam com fisioterapia e preparação física, e o resultado depende muito dessa conversa.
Lesão por sobrecarga: a matemática da dose
A maior parte das lesões de quem pratica esporte por prazer não vem de uma pancada. Vem de um aumento de carga que o tecido não teve tempo de acompanhar. Tendão, osso e músculo se adaptam ao estímulo, mas em velocidades diferentes, e o tendão é lento.
Isso explica um padrão que se repete no consultório: a pessoa passa meses sem treinar, se anima em janeiro, dobra o volume em duas semanas e aparece com dor no joelho, no Aquiles ou na canela. O tecido não falhou por fraqueza, falhou por pressa.
A recomendação prática mais conhecida é aumentar o volume de treino de forma gradual, na casa de cerca de 10% por semana. É importante dizer com honestidade que essa regra é um guia prático, e não uma lei com respaldo forte de ensaios clínicos: revisões que testaram a regra dos 10% não confirmaram um limiar mágico. O princípio que sobrevive é outro, e esse tem respaldo: mudanças bruscas de carga, principalmente depois de períodos parados, aumentam o risco, e progressão gradual com semanas mais leves espalhadas ao longo do plano reduz problemas.
Sinais de que a dose passou do ponto
- Dor que aparece mais cedo a cada treino.
- Dor que continua no dia seguinte, ou que piora à noite.
- Rigidez matinal na região que treina.
- Queda de desempenho com sono ruim e irritabilidade.
Dor leve que melhora durante o aquecimento e não piora no dia seguinte costuma permitir continuar treinando com carga ajustada, sob orientação.
Lesão muscular e o que fazer nas primeiras horas
A lesão muscular clássica acontece em movimentos rápidos, com o músculo sendo alongado sob tensão, como no sprint e na finalização. O posterior da coxa é o campeão, seguido de panturrilha, adutor e reto femoral.
O antigo protocolo de gelo, repouso, compressão e elevação foi revisto. As recomendações atuais enfatizam proteger sem imobilizar, evitar repouso prolongado, carregar o tecido progressivamente e retomar movimento cedo, dentro do tolerável. O gelo pode aliviar a dor, mas não existe boa evidência de que acelere a recuperação, e o uso prolongado de anti-inflamatórios logo após a lesão é questionado justamente porque a inflamação faz parte do reparo.
Sobre prazos, honestidade: o tempo de retorno varia muito conforme o músculo, a extensão e a localização da lesão, sendo que lesões próximas ao tendão costumam demorar mais e recidivar mais. Prometer prazo exato na primeira semana é chute.
O que realmente previne lesão
Aqui a evidência é boa, e as intervenções são baratas.
- Programas neuromusculares de aquecimento, com fortalecimento, equilíbrio, controle de aterrissagem e mudança de direção, reduzem lesões de forma consistente em esportes coletivos, com efeitos relevantes sobre lesões de joelho e de tornozelo.
- Exercício nórdico para posteriores de coxa. Programas que incluem esse exercício reduzem de forma expressiva as lesões de isquiotibiais em jogadores de futebol, com uma das melhores relações entre esforço e retorno em toda a medicina esportiva.
- Treino de equilíbrio reduz recidiva de entorse de tornozelo.
- Força. Musculatura mais forte tolera mais carga, e treino de força é fator protetor amplo, inclusive para lesões por sobrecarga.
- Sono e recuperação. Sono insuficiente está associado a maior risco de lesão, e é a variável mais negligenciada por quem treina.
E o que não sustenta o que promete: alongamento estático imediatamente antes do exercício não reduz risco de lesão de forma consistente, e pode reduzir desempenho de força se feito por tempo prolongado. Kinesio tape tem efeito modesto e provavelmente ligado à percepção. Suplementos que prometem proteger articulação não têm respaldo à altura da propaganda.
Retorno ao esporte se decide por teste, não por calendário
Perguntar quando volto é natural, mas a pergunta certa é o que preciso mostrar para voltar. Depois de lesões importantes, principalmente ligamento cruzado anterior, os critérios funcionais mudaram o jogo: força simétrica entre os lados, testes de salto com desempenho próximo ao do lado saudável, controle de movimento adequado e confiança psicológica para a modalidade.
Voltar antes de atingir esses critérios aumenta o risco de nova lesão, e isso está bem documentado em atletas jovens. É também por isso que a reabilitação depois de reconstrução ligamentar não termina quando a dor acaba: ela termina quando o desempenho volta.
Uma consequência prática para quem joga por prazer: se você não fizer a reabilitação, o resultado da cirurgia fica abaixo do que ela poderia entregar. Cirurgia é uma parte do tratamento, e não o tratamento inteiro.
Quando procurar atendimento
Marque consulta quando a dor persiste por mais de duas a três semanas apesar do ajuste de carga, quando a mesma lesão se repete, quando existe inchaço depois dos treinos, quando o membro falha ou trava, ou quando você quer voltar a treinar depois de uma lesão importante e não sabe como progredir com segurança.
Interrompa e procure atendimento imediato se houver
- Estalo audível com inchaço imediato e incapacidade de continuar.
- Impossibilidade de apoiar o peso, deformidade ou articulação fora do lugar.
- Dor no peito, falta de ar desproporcional, tontura ou desmaio durante o exercício.
- Dor muscular intensa com urina escura depois de treino extenuante, o que pode indicar rabdomiólise.
- Dor em uma perna com inchaço e vermelhidão em repouso, principalmente após viagem longa ou imobilização.
- Confusão, dor de cabeça persistente ou perda de memória depois de pancada na cabeça.
Nesses casos, procure um pronto atendimento. Em emergência, ligue 192.
Quer achar o especialista da sua lesão?
A busca por área leva direto para a página do joelho, do ombro, do tornozelo ou da coluna.
Perguntas frequentes
Posso treinar sentindo dor?
Depende do tipo de dor. Dor leve, que melhora durante o aquecimento, não piora no dia seguinte e não vem acompanhada de inchaço, costuma permitir treino com carga ajustada e acompanhamento. Dor que aumenta ao longo do treino, que persiste no dia seguinte, que causa manqueira ou que vem com inchaço pede pausa e avaliação.
Alongar antes do treino previne lesão?
O alongamento estático feito imediatamente antes do exercício não mostrou redução consistente de lesões e, quando prolongado, pode reduzir desempenho de força. O que tem evidência é o aquecimento ativo com componente neuromuscular, incluindo força, equilíbrio e controle de movimento, feito de forma regular ao longo da temporada.
Qual o melhor exercício para evitar lesão de posterior de coxa?
Programas que incluem o exercício nórdico para isquiotibiais reduzem de forma expressiva essas lesões em jogadores de futebol. É um exercício simples, feito em dupla ou com apoio, que exige poucos minutos por sessão e algumas sessões por semana. A dificuldade é adesão, e não custo.
Preciso fazer ressonância antes de voltar a correr?
Quase nunca. A decisão de retorno se baseia em avaliação clínica, evolução da dor e desempenho em testes funcionais. Imagem entra quando há suspeita de lesão estrutural que muda a conduta, como fratura por estresse, lesão ligamentar ou lesão tendínea importante. Pedir exame por ansiedade costuma gerar achados que confundem.
Quanto tempo até voltar ao esporte depois de reconstruir o ligamento cruzado?
Não existe um número que sirva para todo mundo, e prazo isolado é um critério ruim. O retorno a esportes com giro e mudança de direção costuma levar vários meses e depende de recuperar força simétrica, desempenho em testes de salto, controle de movimento e confiança. Voltar sem cumprir esses critérios aumenta o risco de nova lesão.
Para levar daqui
- A maior parte das lesões recreativas é erro de dose, não falta de preparo.
- A regra dos 10% é um guia prático, não uma lei, mas evitar saltos bruscos de carga tem respaldo.
- O protocolo antigo de gelo e repouso deu lugar a carga progressiva e movimento precoce.
- Programas neuromusculares de aquecimento reduzem lesões de forma consistente.
- O exercício nórdico reduz muito as lesões de posterior de coxa.
- Retorno ao esporte se decide por testes funcionais, não por calendário.
- Sono ruim aumenta risco de lesão, e quase ninguém trata isso como treino.
Referências
- Dubois B, Esculier JF. Soft tissue injuries simply need PEACE and LOVE. British Journal of Sports Medicine, 2020.
- Lauersen JB et al. The effectiveness of exercise interventions to prevent sports injuries: systematic review and meta-analysis. British Journal of Sports Medicine, 2014.
- van Dyk N et al. Including the Nordic hamstring exercise in injury prevention programmes halves the rate of hamstring injuries. British Journal of Sports Medicine, 2019.
- Nielsen RO et al. Training load and running-related injury: a systematic review. Journal of Orthopaedic and Sports Physical Therapy.
- Grindem H et al. Simple decision rules can reduce reinjury risk by 84% after ACL reconstruction. British Journal of Sports Medicine, 2016.
- Vuurberg G et al. Diagnosis, treatment and prevention of ankle sprains. British Journal of Sports Medicine, 2018.
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