Buscar ortopedista

Área de atuação

Ortopedista de coluna em Curitiba

Aqui estão as fichas dos especialistas em coluna de Curitiba. Logo abaixo delas vem o guia: lombalgia, hérnia de disco e ciática, quando o exame de imagem ajuda e o que a evidência diz sobre cirurgia.

Última revisão: 17 de agosto de 2026

Ortopedistas de coluna em Curitiba

Cadastro 100% gratuito

Estas fichas serão preenchidas com os profissionais de cirurgia da coluna que autorizarem a publicação. Aparecer aqui é totalmente gratuito, em ordem alfabética, sem nota, sem estrela e sem posição paga.

A lista está em formação e é publicada em ordem alfabética, apenas com dados fornecidos e autorizados pelo próprio médico. Não há cobrança de nenhum tipo, não há destaque comprado e não existe classificação por qualidade. Cada profissional é o único responsável pela sua publicidade médica perante o Conselho Federal de Medicina, e a presença nesta lista não constitui recomendação ou aval de qualidade por parte deste site.

Para o médico, aparecer aqui é totalmente gratuito, sempre. Não existe plano pago, não existe destaque comprado, não cobramos comissão por consulta e não vamos cobrar no futuro. O projeto é informativo e sem fins comerciais.

Quero minha ficha

O que o especialista em coluna trata

A cirurgia da coluna é uma área de atuação que, no Brasil, pode ser exercida por ortopedistas e por neurocirurgiões com formação específica. O que o especialista trata, na prática:

  • Lombalgia, aguda e crônica, com e sem irradiação para as pernas.
  • Cervicalgia e dor irradiada para o braço, a chamada cervicobraquialgia.
  • Hérnia de disco lombar e cervical, com ou sem compressão de raiz nervosa.
  • Estenose de canal lombar, a causa mais comum de dor nas pernas ao caminhar em pessoas acima de 60 anos.
  • Espondilolistese, quando uma vértebra escorrega sobre a outra.
  • Deformidades, como escoliose do adolescente e escoliose degenerativa do adulto.
  • Fraturas vertebrais, incluindo as fraturas por fragilidade em pessoas com osteoporose.
  • Infecções e tumores da coluna, que são raros, mas cuja suspeita muda tudo.

Repare no que não está nessa lista: a maior parte das dores nas costas do dia a dia. Elas são reais, incapacitantes e merecem tratamento, mas não são doença cirúrgica e não precisam de cirurgião para começar a ser tratadas.

Por que a maior parte da dor lombar não tem uma causa na imagem

Em uma proporção grande dos casos de dor lombar, algo em torno de nove em cada dez, não é possível identificar uma estrutura específica como culpada. A literatura chama isso de lombalgia inespecífica. O nome soa como um não diagnóstico, mas é o contrário: é um diagnóstico que afasta as causas graves e reconhece que a dor vem de um conjunto de fatores, incluindo carga mecânica, condicionamento, sono, estresse e sensibilização do sistema nervoso.

O problema é que exames de imagem da coluna quase sempre encontram alguma coisa. Estudos com pessoas sem nenhuma dor mostram degeneração discal em cerca de 30% dos adultos aos 20 anos e em mais de 80% aos 50, além de abaulamentos e protrusões que crescem em frequência com a idade. Ou seja: encontrar um disco alterado na sua ressonância é quase esperado e não prova que ele seja a causa da sua dor.

A consequência prática é bem documentada. Pedir imagem cedo demais, na ausência de sinais de alarme, não melhora o resultado do tratamento, aumenta a chance de procedimentos, aumenta custos e piora a percepção da própria saúde. O laudo assusta, o paciente passa a se mover menos, e menos movimento piora a dor lombar.

Uma frase que resume a literatura

O que está na imagem precisa combinar com o que está no exame físico e com o que você conta. Achado de imagem sem correspondência clínica não é diagnóstico, é ruído.

Sinais de alarme

Procure avaliação sem esperar por consulta eletiva se houver

  • Perda de controle da urina ou das fezes, ou dificuldade nova para urinar.
  • Dormência na região que encosta na sela de uma bicicleta, o que se chama anestesia em sela.
  • Perda de força nas pernas que está piorando, ou pé que começa a arrastar ao caminhar.
  • Dor nas costas depois de trauma importante, ou depois de queda leve em pessoa idosa ou com osteoporose.
  • Febre associada à dor nas costas, especialmente com uso recente de droga injetável, infecção recente ou imunossupressão.
  • Dor que piora à noite, não alivia com repouso, com perda de peso sem explicação ou história prévia de câncer.

A síndrome da cauda equina, que combina alguns desses sinais, é emergência cirúrgica e o tempo até a descompressão importa.

Quando o exame de imagem é indicado

Fluxo de decisão na dor lombar Fluxograma. Primeiro passo: dor lombar. Segundo: existe sinal de alarme? Se sim, avaliação imediata com exame de imagem dirigido. Se não, tratamento conservador com manutenção de atividade, analgesia e exercício por quatro a seis semanas. Terceiro: houve melhora? Se sim, manter exercício e prevenção de recorrência. Se não, reavaliar e considerar imagem e encaminhamento ao especialista. Dor lombar Existe sinal de alarme? sim Avaliação imediata e exame de imagem dirigido não Manter atividade, analgesia e exercício por 4 a 6 semanas Melhorou? não Reavaliar, considerar imagem e encaminhar ao especialista Manter exercício e prevenir recorrência sim
Imagem ilustrativa. Fluxo simplificado, apenas educativo: a decisão real depende da avaliação individual e pode variar bastante em casos com doença prévia.

A imagem entra quando há sinal de alarme, quando existe déficit neurológico, quando se cogita um procedimento cujo planejamento depende dela, ou quando a dor não melhora depois de um tratamento conservador adequado. Fora desses cenários, ela costuma custar caro em dinheiro e em ansiedade sem mudar a conduta.

Radiografia mostra osso, alinhamento e instabilidade, e continua útil em fratura, deformidade e escorregamento vertebral. Ressonância mostra disco, raiz nervosa e medula, e é o exame de escolha quando há suspeita de compressão neural, infecção ou tumor. Tomografia é melhor para detalhe ósseo e para quem não pode fazer ressonância.

Hérnia de disco e ciática

A hérnia de disco acontece quando o material do interior do disco se desloca e pode comprimir uma raiz nervosa. Quando comprime, aparece a dor irradiada: ciática, se for na lombar, com dor que desce pela nádega e pela perna, muitas vezes com formigamento e dormência no trajeto.

Três fatos que mudam a conversa:

  1. A maioria melhora sem cirurgia. Boa parte dos episódios de ciática por hérnia melhora de forma significativa em seis a doze semanas com tratamento conservador.
  2. A hérnia costuma diminuir sozinha. Estudos de acompanhamento com imagem mostram reabsorção parcial ou total de uma parcela grande das hérnias ao longo dos meses, sobretudo nas extrusas, que paradoxalmente são as que mais regridem.
  3. A cirurgia acelera, mas o destino final tende a se aproximar. Em ensaios randomizados, os operados tiveram alívio mais rápido da dor na perna nas primeiras semanas e meses. Depois de um a dois anos, a diferença entre operados e tratados conservadoramente ficou pequena. Isso não torna a cirurgia inútil: torna a decisão dependente de quanto a dor está custando agora e de quanto tempo você consegue ou quer esperar.

Estenose de canal

É o estreitamento do canal por onde passam as estruturas nervosas, geralmente por alterações degenerativas somadas: disco, articulações facetárias e ligamento amarelo. O sintoma típico é a claudicação neurogênica: dor, peso ou formigamento nas pernas que aparece ao caminhar uma distância previsível, melhora ao sentar e ao inclinar o tronco para a frente, e por isso costuma ser mais tolerável empurrando um carrinho de supermercado do que caminhando ereto.

O tratamento começa conservador, com exercício, ajuste de atividade e controle da dor. A descompressão cirúrgica é uma opção com bom resultado em pacientes selecionados, especialmente quando a limitação de caminhada é grande e persistente. A adição de artrodese, quando não há instabilidade, não trouxe vantagem consistente em ensaios clínicos e aumenta o porte da cirurgia.

O que funciona e o que não funciona

Manter-se ativo, e não repousar

É das recomendações mais consistentes de todas as diretrizes: repouso prolongado piora a lombalgia aguda. Manter atividade dentro do tolerável, retomar tarefas gradualmente e evitar imobilidade produz melhor resultado que a cama.

Exercício terapêutico

Para dor lombar crônica, exercício é o tratamento com melhor sustentação. Nenhuma modalidade específica se mostrou claramente superior às outras em ensaios comparativos, o que é uma boa notícia: o melhor exercício tende a ser aquele que você vai realmente fazer com regularidade e progressão.

Educação e compreensão da dor

Entender que dor não é sinônimo de lesão e que a coluna é resistente reduz medo, aumenta atividade e melhora desfechos. Parece pouco e não é.

Medicação

Anti-inflamatórios têm efeito modesto e vêm com riscos gástricos, renais e cardiovasculares que aumentam com uso prolongado. Paracetamol isolado, para lombalgia aguda, mostrou-se pouco eficaz em ensaio de bom tamanho. Relaxantes musculares podem ajudar em curto prazo, com sedação como preço. Opioides não são tratamento de dor lombar crônica: o benefício médio é pequeno e o risco é grande.

Terapias passivas isoladas

Calor, massagem, acupuntura e manipulação podem oferecer alívio de curto prazo para algumas pessoas. O erro é usá-las como tratamento principal e prolongado, no lugar do que muda a trajetória, que é atividade e exercício.

Artrodese para dor lombar sem instabilidade

A fusão vertebral para dor lombar crônica axial, sem instabilidade nem deformidade definida, tem evidência fraca: ensaios comparando cirurgia com programas estruturados de reabilitação e terapia cognitivo-comportamental mostraram diferenças pequenas ou nulas em desfechos de longo prazo. É uma das indicações mais discutidas da ortopedia, e vale sempre uma segunda opinião antes de aceitar.

Quando a cirurgia é indicada

  • Síndrome da cauda equina: emergência, sem discussão.
  • Déficit neurológico progressivo, como perda de força que piora ao longo de dias ou semanas.
  • Ciática incapacitante que não cede depois de seis a doze semanas de tratamento conservador adequado, com imagem que corresponde exatamente ao quadro clínico.
  • Estenose de canal com limitação importante de marcha e falha do tratamento conservador.
  • Instabilidade demonstrada, deformidade progressiva, fratura instável, infecção ou tumor.

Em todos os casos, a pergunta que separa a boa indicação da apressada é a mesma: qual sintoma exatamente essa cirurgia pretende resolver, e qual a chance real de que ele melhore. Cirurgia de coluna funciona bem para dor na perna por compressão de raiz. Ela funciona muito menos bem para dor lombar difusa e crônica, e essa distinção precisa estar clara antes da decisão.

Perguntas frequentes

Dor nas costas é caso de ortopedista de coluna ou de neurocirurgião?

As duas especialidades operam coluna no Brasil, e a formação em cirurgia da coluna pode vir por qualquer uma das duas. O que importa mais do que a porta de entrada é que o profissional tenha formação específica em coluna e que a indicação seja criteriosa. Para a maior parte das dores lombares, que não são cirúrgicas, o ortopedista geral, o médico de família ou o fisiatra resolvem sem precisar de cirurgião.

Preciso fazer ressonância da coluna logo no começo da dor?

Na ausência de sinais de alarme, não. Pedir imagem nas primeiras semanas de uma dor lombar comum não melhora o resultado do tratamento e tende a piorar a experiência do paciente, porque quase todo mundo tem algum achado na ressonância. Estudos em pessoas sem dor nenhuma mostram degeneração discal em uma parcela enorme dos adultos, e a proporção sobe com a idade. A imagem é indicada quando há sinal de alarme, déficit neurológico ou quando se cogita procedimento.

Hérnia de disco sempre precisa de cirurgia?

Não. A maioria das hérnias de disco com ciática melhora sem cirurgia, e boa parte das hérnias reduz de tamanho espontaneamente ao longo de meses. Em ensaios randomizados, a cirurgia acelerou o alívio da dor na perna nas primeiras semanas e meses, mas a diferença entre operados e não operados diminuiu bastante ao longo de um a dois anos. A cirurgia é clara quando há déficit neurológico progressivo, síndrome da cauda equina ou dor incapacitante que não cede depois de tratamento conservador adequado.

O que é ciática e quanto tempo ela dura?

Ciática é a dor que segue o trajeto do nervo ciático, descendo pela nádega e pela parte de trás da coxa e da perna, muitas vezes com formigamento ou dormência. A causa mais comum é a compressão de uma raiz nervosa por hérnia de disco. A maior parte dos episódios melhora de forma significativa em seis a doze semanas com tratamento conservador, embora sintomas residuais possam persistir por mais tempo.

Repouso na cama ajuda na dor lombar?

Não, e essa é uma das recomendações mais bem estabelecidas na área. Repouso prolongado piora o desfecho na lombalgia aguda. A orientação atual é manter a atividade dentro do que a dor permite, evitar imobilidade e retomar progressivamente as tarefas habituais, com analgesia adequada quando necessária.

Quando a dor nas costas é sinal de algo grave?

Os sinais que exigem avaliação sem esperar são: perda de controle da urina ou das fezes, dormência na região que encosta na sela de uma bicicleta, perda de força progressiva nas pernas, dor forte após trauma importante, febre com dor nas costas, dor que piora à noite e não alivia com repouso, perda de peso sem explicação e história prévia de câncer. Fora desses sinais, a grande maioria das dores lombares é benigna, ainda que muito incômoda.

Para levar daqui

  • Cerca de nove em cada dez dores lombares não têm uma causa estrutural identificável, e isso é um diagnóstico, não um vazio.
  • Achados de imagem são comuns em pessoas sem dor: degeneração discal aparece na maioria dos adultos de meia-idade assintomáticos.
  • Imagem precoce sem sinal de alarme não melhora o desfecho e aumenta procedimentos.
  • Repouso na cama piora a lombalgia aguda; manter atividade melhora.
  • A maioria das ciáticas por hérnia melhora sem cirurgia, e a cirurgia acelera o alívio mais do que muda o destino em um a dois anos.
  • Cirurgia funciona melhor para dor na perna por compressão do que para dor lombar difusa.
  • Sinais como perda de controle esfincteriano ou perda de força progressiva são emergência.

Referências

  1. Hartvigsen J et al. What low back pain is and why we need to pay attention. The Lancet, 2018.
  2. Foster NE et al. Prevention and treatment of low back pain: evidence, challenges, and promising directions. The Lancet, 2018.
  3. National Institute for Health and Care Excellence. Low back pain and sciatica in over 16s: assessment and management, NG59.
  4. Brinjikji W et al. Systematic literature review of imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations. American Journal of Neuroradiology, 2015.
  5. Peul WC et al. Surgery versus prolonged conservative treatment for sciatica. New England Journal of Medicine, 2007.
  6. Weinstein JN et al. Surgical versus nonoperative treatment for lumbar disc herniation, SPORT. JAMA, 2006.
  7. Försth P et al. A randomized, controlled trial of fusion surgery for lumbar spinal stenosis. New England Journal of Medicine, 2016.
  8. Chou R et al. Nonpharmacologic therapies for low back pain: a systematic review for an American College of Physicians clinical practice guideline. Annals of Internal Medicine, 2017.
  9. Williams CM et al. Efficacy of paracetamol for acute low-back pain, PACE trial. The Lancet, 2014.

Fale com o projeto

O Curitiba Ortopedia é um projeto informativo independente e gratuito, sem vínculo com clínicas, hospitais, planos de saúde ou fabricantes. Não realizamos atendimento, não marcamos consultas e não damos orientação clínica individual por mensagem.

Se você é ortopedista e quer aparecer na lista, se encontrou um erro em alguma página, se quer sugerir um tema ou se precisa corrigir ou remover os seus dados, escreva para o e-mail abaixo. Pedidos de correção e de remoção são atendidos sem custo.

curitibaquadril@gmail.comEntrar para a lista