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Primeira consulta com o ortopedista: como se preparar

Uma consulta de ortopedia dura em média entre vinte e quarenta minutos, e a maior parte do diagnóstico sai da conversa. Chegar preparado não é preciosismo: é a diferença entre sair com um plano claro e sair com mais um pedido de exame.

Última revisão: 17 de agosto de 2026

O que levar

  • Documento com foto e carteirinha do convênio, ou o Cartão Nacional de Saúde no atendimento público.
  • Lista dos medicamentos que você usa, com doses. Vale fotografar as caixas.
  • Exames anteriores da região, com laudo e, se possível, as imagens. Radiografias antigas valem ouro para comparação.
  • Relatórios de cirurgias prévias, principalmente na mesma região.
  • Uma anotação curta da história, do jeito que está descrito na seção seguinte.
  • Roupa que permita examinar a região. Para joelho, short. Para ombro, blusa que descubra o ombro. Examinar por cima da calça jeans não funciona.
  • O calçado que você mais usa, se a queixa é no pé, no joelho ou no quadril. O desgaste da sola conta bastante.
  • Acompanhante, se você é idoso, tem dificuldade de audição ou acha que vai esquecer as orientações. É um direito no caso de pessoas com 60 anos ou mais.

Como descrever a sua dor em trinta segundos

Existe uma sequência que médicos usam para organizar a história. Se você chegar com ela pronta, ganha tempo de consulta para o que interessa.

Roteiro para descrever a dor
PerguntaExemplo de resposta útil
Onde exatamente dói?Aponte com um dedo, se conseguir. Dor apontada com a mão inteira e dor apontada com um dedo têm significados diferentes.
Quando começou e como?Há três meses, depois de uma torção jogando bola, ou sem motivo aparente.
O que piora?Descer escada, levantar da cadeira, dormir sobre o lado, correr acima de vinte minutos.
O que melhora?Repouso, calor, anti-inflamatório, mudar de posição.
Como é a dor à noite?Dor que acorda a pessoa é um dado importante e muda a investigação.
Trava, falseia ou incha?Esses três verbos são muito informativos em joelho e ombro.
O que você já tentou?Medicações, fisioterapia por quanto tempo, infiltração, repouso.
O que você precisa voltar a fazer?Subir escada em casa, trabalhar em pé oito horas, correr dez quilômetros. Isso muda a indicação.

O que acontece na consulta

Conversa. É a parte mais longa e a mais decisiva. A maior parte dos diagnósticos ortopédicos se forma aqui.

Exame físico. O médico observa a região, palpa pontos específicos, mede a amplitude de movimento, testa força e faz manobras próprias de cada articulação. Também examina a região vizinha, porque dor no joelho pode vir do quadril e dor no ombro pode vir do pescoço.

Exames complementares, quando necessários. Eles entram para confirmar ou descartar uma hipótese que já foi formulada. Não se assuste se a consulta terminar sem pedido de ressonância: em muitos casos ela não mudaria nada, e imagem pedida sem hipótese clínica costuma gerar achados que confundem.

Plano. Ao final, você deve sair sabendo o que provavelmente tem, o que vai fazer nas próximas semanas, o que fazer se piorar e quando retornar. Se isso não ficou claro, pergunte antes de sair da sala.

Sete perguntas que valem a consulta

  1. Qual é a hipótese mais provável para o meu caso?
  2. Esse exame que o senhor está pedindo vai mudar a conduta? De que forma?
  3. Quais são as alternativas de tratamento, incluindo as que não envolvem cirurgia?
  4. O que acontece se eu não fizer nada por alguns meses?
  5. Quanto tempo até eu sentir melhora, e qual melhora é realista?
  6. Quais sinais devem me fazer procurar atendimento antes do retorno?
  7. Se for cirurgia, quantas dessas o senhor faz por ano e como é a reabilitação?

Sobre a pergunta número quatro

Ela é a mais reveladora de todas. Todo tratamento tem uma alternativa, que é não tratar agora, e um bom médico sabe descrever o que acontece nesse cenário. Quem responde apenas que vai piorar, sem detalhar, está economizando uma informação que é sua.

Depois da consulta

  • Guarde o relatório, a receita e os pedidos de exame. Fotografe tudo, porque papel se perde.
  • Anote a data do retorno e confirme se ele é sem custo dentro de algum prazo.
  • Comece o que foi orientado, principalmente a fisioterapia. Tratamento que não é feito não é tratamento.
  • Registre a evolução em poucas linhas por semana. No retorno, isso vale mais do que a memória.
  • Se a orientação não fez sentido, ou se a proposta é cirúrgica e você ficou em dúvida, buscar uma segunda opinião é legítimo e não ofende ninguém.

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Perguntas frequentes

Preciso levar exame de imagem já feito na primeira consulta?

Se você já tem exames da região, sim, leve com laudo e imagens. Se ainda não tem, não faça por conta própria antes da consulta. O médico decide qual exame realmente responde à dúvida, e exame feito sem hipótese clínica costuma custar caro e mostrar achados que não têm relação com a sua dor.

Como devo me vestir para a consulta?

Com roupa que permita expor a região a ser examinada. Short para joelho e quadril, blusa que descubra o ombro para queixas do membro superior, e evite roupas justas difíceis de levantar. Se a queixa é no pé ou no joelho, leve o calçado que você mais usa, porque o desgaste da sola dá informação.

Posso levar acompanhante?

Sim, e em muitos casos é recomendável. Pessoas com 60 anos ou mais têm direito a acompanhante, e para qualquer paciente ter alguém que ajude a lembrar as orientações melhora a adesão ao tratamento. Se for menor de idade, a presença de responsável é necessária.

O médico não pediu nenhum exame. Isso é normal?

É normal e frequentemente é sinal de boa prática. Grande parte dos diagnósticos ortopédicos se faz com história e exame físico, e nem todo caso precisa de imagem. O exame é indicado quando o resultado pode mudar a conduta, e não como confirmação automática do que já está claro.

Quanto tempo dura uma consulta de ortopedia?

Costuma variar entre vinte e quarenta minutos na primeira avaliação, dependendo da complexidade e do serviço. Chegar com a história organizada e com os exames em mãos aumenta bastante o aproveitamento desse tempo.

Para levar daqui

  • A maior parte do diagnóstico sai da conversa, não da imagem.
  • Leve documentos, lista de medicamentos, exames com laudo e uma anotação curta da história.
  • Roupa adequada e o calçado de uso diário mudam a qualidade do exame físico.
  • Descreva onde dói, o que piora, o que melhora e o que você precisa voltar a fazer.
  • Pergunte sempre o que acontece se você não fizer nada agora.
  • Sair da consulta sem pedido de exame pode ser sinal de boa prática.
  • Segunda opinião antes de cirurgia é legítima e recomendável quando há dúvida.

Referências

  1. Ministério da Saúde. Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde.
  2. Brasil. Lei nº 10.741/2003, Estatuto da Pessoa Idosa.
  3. Conselho Federal de Medicina. Código de Ética Médica, Resolução CFM nº 2.217/2018, sobre informação ao paciente.
  4. Culvenor AG et al. Prevalence of knee osteoarthritis features on MRI in asymptomatic uninjured adults. British Journal of Sports Medicine, 2019.
  5. Brinjikji W et al. Imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations. American Journal of Neuroradiology, 2015.

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