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Ortopedista de ombro em Curitiba

Aqui estão as fichas dos especialistas em ombro e cotovelo de Curitiba. Logo abaixo delas vem o guia: manguito rotador, ombro congelado, luxação e o que a evidência mostra sobre a decisão de operar.

Última revisão: 17 de agosto de 2026

Ortopedistas de ombro em Curitiba

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O que o especialista em ombro trata

A área de atuação costuma cobrir ombro e cotovelo juntos. Os problemas mais frequentes:

  • Tendinopatia e lesão do manguito rotador, o conjunto de quatro tendões que estabiliza e gira o ombro.
  • Síndrome do impacto e bursite subacromial, a dor ao elevar o braço.
  • Tendinite calcária, com depósito de cálcio dentro do tendão, capaz de causar crises de dor muito intensa.
  • Capsulite adesiva, o ombro congelado, com perda progressiva de movimento.
  • Instabilidade e luxação recidivante, quando o ombro sai do lugar ou ameaça sair.
  • Lesões do lábio glenoidal, incluindo as lesões SLAP em atletas de arremesso.
  • Artrose glenoumeral e artropatia do manguito, com indicação eventual de prótese, inclusive a prótese reversa.
  • Fraturas da clavícula, do úmero proximal e luxações acromioclaviculares.
  • No cotovelo, epicondilite lateral e medial, rigidez, instabilidade e lesões do tendão distal do bíceps.

O padrão da dor e o que ele sugere

Arco doloroso na elevação do braço Esquema do braço elevando do lado do corpo até acima da cabeça, com o setor entre sessenta e cento e vinte graus destacado como faixa de dor típica dos problemas do manguito rotador e da bursite subacromial. Ao lado, uma legenda indica que dor apenas no fim do movimento sugere articulação acromioclavicular e que dor em todo o arco, com perda de movimento passivo, sugere capsulite adesiva. 0 graus 180 graus 60 a 120 graus Dor entre 60 e 120 graus manguito rotador, bursite subacromial Dor só no final, acima da cabeça articulação acromioclavicular Perde movimento até com ajuda capsulite adesiva, o ombro congelado
Imagem ilustrativa. O arco doloroso é uma pista de exame físico, não um diagnóstico isolado: vários testes precisam ser combinados.

Dor na face lateral do ombro, que desce até o meio do braço, piora ao levantar o braço e ao deitar sobre aquele lado. Padrão clássico de problema do manguito rotador ou de bursite subacromial. É a queixa mais comum do consultório de ombro.

Dor bem no topo do ombro, apontada com um dedo, que piora ao cruzar o braço na frente do corpo. Sugere a articulação acromioclavicular, frequentemente artrose ou sequela de trauma antigo.

Perda de movimento que não melhora nem quando outra pessoa move o seu braço. Esse é o dado que separa a capsulite adesiva do resto: nos problemas de tendão, o movimento passivo costuma estar preservado.

Dor que vem do pescoço, com formigamento nos dedos, piora ao virar a cabeça. Provavelmente cervical, e o especialista certo pode ser o de coluna.

Sensação de que o ombro vai sair do lugar em determinadas posições. Instabilidade, muitas vezes com história de luxação prévia.

Manguito rotador

O manguito rotador é formado por quatro tendões que envolvem a cabeça do úmero. Duas informações mudam bastante a conversa com o paciente.

A primeira é que lesões do manguito são muito frequentes em pessoas sem dor nenhuma, e essa frequência cresce muito com a idade. Estudos de imagem em voluntários assintomáticos encontram lesões em uma parcela substancial dos adultos mais velhos. Portanto, encontrar uma lesão na ressonância de alguém com 60 anos não prova que ela é a causa da dor.

A segunda é que fisioterapia bem conduzida resolve bem uma parcela grande dos casos, inclusive em lesões parciais e em algumas lesões completas pequenas de origem degenerativa. Ensaios clínicos que compararam reparo cirúrgico com reabilitação em lesões degenerativas encontraram diferenças modestas, com muitos pacientes do grupo conservador satisfeitos no médio prazo.

A cirurgia tem indicação mais forte em três cenários: lesão aguda por trauma em pessoa ativa, perda importante de força com limitação funcional, e falha de um programa de reabilitação adequado, com pelo menos alguns meses de tratamento sério. Nesses casos, o reparo tem bons resultados, com recuperação lenta: a reabilitação depois do reparo do manguito costuma levar de quatro a seis meses até a normalização funcional, e às vezes mais.

Ombro congelado

A capsulite adesiva é uma das condições mais frustrantes da ortopedia, porque é benigna, autolimitada e demorada ao mesmo tempo. A cápsula da articulação inflama e retrai, e o ombro perde movimento em todas as direções, incluindo quando outra pessoa tenta movê-lo.

Ela costuma seguir três fases: uma fase dolorosa, em que a dor domina e o movimento começa a se perder; uma fase de rigidez, em que a dor melhora um pouco mas o ombro está muito travado; e uma fase de recuperação, lenta. O tempo total costuma variar de um a três anos, e uma parcela dos pacientes fica com alguma limitação residual, geralmente pequena.

O que ajuda: corticoide intra-articular na fase inicial, que traz alívio mais rápido de dor e melhora de movimento nos primeiros meses; fisioterapia com alongamento progressivo dentro do tolerável; e controle de diabetes, já que a associação entre diabetes e capsulite é forte e a evolução tende a ser mais arrastada nesses pacientes. Manipulação sob anestesia e liberação capsular artroscópica ficam reservadas para casos que não evoluem depois de tempo suficiente.

Luxação e instabilidade

Quando o ombro luxa pela primeira vez, o dado mais importante para prever o futuro é a idade. Em adolescentes e adultos jovens, especialmente homens em esportes de contato, a taxa de recidiva é alta, e a estabilização cirúrgica precoce reduz de forma relevante o risco de novas luxações. Acima dos 40 anos, a recidiva é menos comum, mas cresce a chance de lesão associada do manguito rotador, que deve ser investigada quando a força não recupera.

Cada nova luxação tende a causar mais dano ao lábio e ao osso da glenoide, e perda óssea significativa muda a técnica cirúrgica indicada. Por isso, instabilidade recidivante merece avaliação e não apenas convivência.

Tendinite calcária e bursite

Na tendinite calcária, um depósito de cálcio se forma dentro do tendão, mais comumente do supraespinal. Ela tem uma característica peculiar: pode ser silenciosa por muito tempo e, quando o depósito entra em fase de reabsorção, provocar uma das dores mais intensas da ortopedia, que leva o paciente ao pronto-socorro sem trauma nenhum. Boa notícia: essa fase costuma ser autolimitada e o depósito frequentemente desaparece sozinho.

O tratamento vai de analgesia e fisioterapia até punção guiada por ultrassom com lavagem do depósito, em casos selecionados. A bursite subacromial isolada, por sua vez, quase sempre é consequência de sobrecarga ou de alteração do manguito, e responde bem a ajuste de carga, fisioterapia e, quando necessário, infiltração.

Consulta e exames

O exame físico do ombro é rico e vale mais do que qualquer imagem isolada. O médico avalia amplitude ativa e passiva, força de cada grupo do manguito, testes de impacto, testes de instabilidade e de lábio, e examina o pescoço, porque a dor cervical referida é uma armadilha frequente.

A radiografia é o exame inicial, boa para artrose, calcificações, alterações ósseas e sequelas de luxação. A ultrassonografia é útil para tendão e bursa e depende bastante do examinador. A ressonância detalha manguito, lábio e cartilagem e é indicada principalmente quando se cogita cirurgia ou quando o diagnóstico não fechou.

O que a evidência diz sobre operar

O caso da acromioplastia

A descompressão subacromial isolada era um dos procedimentos mais realizados em ortopedia. Dois ensaios randomizados de alta qualidade, um deles com grupo submetido a cirurgia simulada, mostraram que o ganho da cirurgia não se separou do da cirurgia placebo de forma clinicamente relevante, e que a diferença para o simples acompanhamento foi pequena. Esse resultado levou a recomendações contrárias ao uso rotineiro do procedimento em dor subacromial sem lesão estrutural definida. É um dos exemplos mais claros, em toda a medicina, de procedimento amplamente feito que não sobreviveu a um teste rigoroso.

Isso não significa que cirurgia de ombro não funcione. Significa que a indicação precisa ser específica. Onde a evidência é boa:

  • Estabilização em instabilidade recidivante, principalmente em jovens ativos.
  • Reparo de lesões agudas e traumáticas do manguito em pacientes com boa demanda funcional.
  • Artroplastia em artrose avançada com dor limitante, incluindo a prótese reversa em artropatia do manguito, com bons índices de alívio de dor.
  • Fraturas com desvio importante e luxações irredutíveis.

E onde vale desconfiar de uma indicação apressada: dor subacromial sem lesão estrutural, ressonância com achados degenerativos compatíveis com a idade e sem correspondência no exame físico, e proposta cirúrgica antes de qualquer tentativa séria de reabilitação.

Procure avaliação rápida se houver

  • Deformidade do ombro depois de queda, com incapacidade de mover o braço: possível luxação ou fratura.
  • Perda súbita e importante de força para elevar o braço depois de trauma.
  • Dor com febre, vermelhidão e calor sobre a articulação.
  • Dormência, palidez ou frio na mão depois do trauma.
  • Dor no ombro esquerdo associada a dor no peito, falta de ar, suor frio ou náusea: procure emergência imediatamente, porque isso pode ser infarto e não ortopedia.

Perguntas frequentes

Dor no ombro pode vir do pescoço?

Sim, e essa é uma das confusões mais frequentes. Dor que desce do pescoço para o ombro e para o braço, com formigamento nos dedos, que piora ao virar ou estender a cabeça e não muda muito ao mexer o ombro, sugere origem cervical. Já a dor que aparece exatamente ao levantar o braço, que dói ao deitar sobre aquele lado e que se localiza na parte lateral do ombro, sugere origem no próprio ombro.

Toda lesão do manguito rotador precisa de cirurgia?

Não. Lesões degenerativas do manguito são muito comuns com a idade e existem em muita gente sem dor nenhuma. Boa parte dos pacientes com lesão parcial ou até completa de pequeno tamanho melhora bem com fisioterapia dirigida. A cirurgia é mais claramente indicada em lesões agudas por trauma em pessoas ativas, em perda importante de força e em casos que falharam depois de reabilitação adequada.

A cirurgia de descompressão do ombro funciona?

A acromioplastia isolada, para dor do impacto subacromial, foi testada em ensaios randomizados que incluíram grupo com cirurgia simulada. Os resultados não mostraram vantagem clinicamente relevante sobre a cirurgia placebo, e a diferença em relação a apenas observar foi pequena. Por isso, várias diretrizes passaram a desaconselhar esse procedimento como rotina na dor subacromial sem lesão estrutural definida.

O que é ombro congelado e quanto tempo dura?

É a capsulite adesiva, uma inflamação seguida de retração da cápsula da articulação, que causa dor e perda progressiva de movimento, inclusive quando outra pessoa tenta mover o braço. Ela costuma passar por fases de dor, rigidez e recuperação, e a evolução natural leva de um a três anos na maioria dos casos. Tratamento com corticoide intra-articular na fase inicial e fisioterapia orientada encurta o sofrimento, embora não elimine o tempo total.

Deslocou o ombro uma vez, vai deslocar de novo?

O risco de nova luxação depende fortemente da idade da primeira vez. Em adolescentes e adultos jovens, principalmente homens praticantes de esporte de contato, a chance de recidiva é alta e a cirurgia de estabilização entra cedo na conversa. Acima dos 40 anos, a recidiva é menos frequente, mas cresce a preocupação com lesão associada do manguito rotador, que precisa ser investigada.

Dormir de lado piora a dor no ombro?

Dor que acorda a pessoa ao deitar sobre o ombro é um dos sintomas mais característicos dos problemas do manguito rotador e da bursite subacromial. Não significa que dormir de lado cause a lesão, mas a posição comprime a região e aumenta a dor. Enquanto o tratamento não faz efeito, apoiar o braço em um travesseiro ou dormir do outro lado costuma ajudar.

Para levar daqui

  • Dor lateral do ombro ao elevar o braço e ao deitar sobre o lado sugere manguito rotador ou bursite subacromial.
  • Perda de movimento mesmo quando outra pessoa move o braço aponta para capsulite adesiva.
  • Lesões de manguito são comuns em pessoas sem dor: o laudo precisa combinar com o exame físico.
  • A acromioplastia isolada não superou a cirurgia simulada em ensaios de alta qualidade.
  • Fisioterapia bem conduzida resolve boa parte das lesões degenerativas do manguito.
  • Luxação em jovem tem alto risco de repetir, e a estabilização precoce reduz esse risco.
  • Dor no ombro esquerdo com dor no peito, suor frio ou falta de ar é emergência clínica, não ortopédica.

Referências

  1. Beard DJ et al. Arthroscopic subacromial decompression for subacromial shoulder pain, CSAW: a multicentre, pragmatic, parallel group, placebo-controlled, three-group, randomised surgical trial. The Lancet, 2018.
  2. Paavola M et al. Subacromial decompression versus diagnostic arthroscopy for shoulder impingement, FIMPACT: randomised, placebo surgery controlled clinical trial. BMJ, 2018.
  3. Vandvik PO et al. Subacromial decompression surgery for adults with shoulder pain: a clinical practice guideline. BMJ Rapid Recommendations, 2019.
  4. Kukkonen J et al. Treatment of nontraumatic rotator cuff tears: a randomised controlled trial with two years of clinical and imaging follow-up. Journal of Bone and Joint Surgery, 2015.
  5. Teunis T et al. A systematic review and pooled analysis of the prevalence of rotator cuff disease with increasing age. Journal of Shoulder and Elbow Surgery, 2014.
  6. Challoumas D et al. Comparison of treatments for frozen shoulder: a systematic review and meta-analysis. JAMA Network Open, 2020.
  7. Longo UG et al. Management of primary acute anterior shoulder dislocation: systematic review and quantitative synthesis of the literature. Arthroscopy, 2014.

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