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Ortopedista infantil em Curitiba

Aqui estão as fichas dos ortopedistas infantis de Curitiba. Logo abaixo delas vem o guia: o que é normal no crescimento, dores de crescimento, criança que manca e os sinais que não esperam.

Última revisão: 17 de agosto de 2026

Ortopedistas infantis em Curitiba

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O que o ortopedista pediátrico trata

O esqueleto da criança não é um esqueleto de adulto em miniatura. Ele cresce a partir de cartilagens específicas, as placas de crescimento, que são mais frágeis que os ligamentos e que respondem de um jeito próprio a trauma, infecção e sobrecarga. Isso cria um grupo de doenças que só existem nessa faixa etária.

  • Displasia do desenvolvimento do quadril, detectada nos primeiros meses de vida.
  • Pé torto congênito, tratado desde as primeiras semanas.
  • Desvios de eixo e de marcha, como pernas arqueadas, joelhos para dentro, pé chato e andar com os pés virados.
  • Dores de crescimento e dores por sobrecarga esportiva, como as apofisites.
  • Criança que manca, com ou sem febre, que sempre merece avaliação.
  • Escoliose do adolescente e outras deformidades da coluna.
  • Fraturas na criança, incluindo as que envolvem a placa de crescimento.
  • Doenças específicas do quadril infantil, como Perthes e epifisiólise.

O que é normal e assusta os pais

Muita consulta de ortopedia infantil termina com a melhor notícia possível: não é nada, é o crescimento. Vale conhecer os padrões normais.

Variações normais do crescimento por idade
O que os pais notamCostuma ser normalPreocupa quando
Pernas arqueadas, em formato de OAté cerca dos 2 anosPersiste depois dos 3 anos, é só de um lado ou está piorando
Joelhos para dentro, em formato de XEntre 3 e 6 anos, com correção espontâneaAssimétrico, muito acentuado ou associado a baixa estatura
Pé chato flexívelMuito comum, o arco costuma se formar até 6 a 8 anosRígido, doloroso ou só de um lado
Andar com os pés virados para dentroComum e melhora com o crescimentoCausa quedas frequentes ou piora com a idade
Andar na ponta dos pésFase transitória em crianças pequenasPersiste, é só de um lado, ou vem com atraso do desenvolvimento

Três mitos que custam dinheiro

Palmilha não cria arco em pé chato flexível de criança, e a evidência disso é consistente. Botinha ortopédica não corrige desvio de marcha. Mochila pesada não causa escoliose, embora possa causar dor nas costas por sobrecarga.

Dores de crescimento

Existem de verdade, são comuns entre 3 e 12 anos e têm um padrão bem definido: dor nas duas pernas, principalmente na coxa, na panturrilha ou atrás dos joelhos, no fim da tarde ou à noite, às vezes acordando a criança, que melhora com massagem, calor e colo, e some completamente pela manhã. A criança corre e brinca normalmente no dia seguinte.

Esse padrão é tranquilizador. O que não combina com dor de crescimento, e por isso merece avaliação, é dor em um lado só, dor em um ponto específico, inchaço, manqueira, febre, perda de peso, cansaço fora do normal ou dor que atrapalha a criança durante o dia.

Criança que manca

Manqueira em criança nunca é normal, e a lista de causas vai do banal ao grave. As mais frequentes:

  • Sinovite transitória do quadril. Inflamação passageira, muitas vezes depois de uma virose, com dor e limitação que melhoram em dias.
  • Artrite séptica. Infecção dentro da articulação. É emergência: a criança tem febre, dor intensa, recusa completa de mover o membro e piora rápido. Cada hora conta.
  • Doença de Legg-Calvé-Perthes. Alteração da irrigação da cabeça do fêmur, mais comum em meninos entre 4 e 8 anos, com manqueira e dor que pode ser sentida no joelho.
  • Epifisiólise proximal do fêmur. Escorregamento da placa de crescimento do quadril, típico de adolescentes, com maior frequência em quem tem sobrepeso. Também costuma doer no joelho ou na coxa.
  • Fraturas ocultas, incluindo a fratura em criança pequena que começou a mancar depois de uma queda banal.

A regra que evita um erro clássico

Toda criança ou adolescente com dor no joelho precisa ter o quadril examinado. Perthes e epifisiólise se manifestam com dor referida no joelho, e são diagnósticos em que a demora custa caro. Se o exame do joelho é normal e a dor persiste, o problema pode estar acima.

Quadril do bebê e pé torto

Displasia do desenvolvimento do quadril. É a formação inadequada da articulação, que pode ir de uma leve imaturidade até a luxação. O exame físico do recém-nascido faz parte da rotina, e a ultrassonografia é o exame de escolha nos primeiros meses, indicada especialmente quando há fatores de risco, como parto pélvico, história familiar e sexo feminino. Quanto mais cedo se trata, mais simples é o tratamento: nos primeiros meses costuma bastar um suspensório específico, enquanto o diagnóstico tardio pode levar a cirurgia.

Um detalhe prático que os pais podem controlar: o bebê deve ser enrolado de forma que as pernas fiquem livres para dobrar e abrir. Enrolar apertado com as pernas esticadas e juntas está associado a maior risco de displasia.

Pé torto congênito. O tratamento moderno começa nas primeiras semanas de vida com trocas seriadas de gesso, seguidas de um pequeno procedimento no tendão de Aquiles quando necessário e de uso de órtese por alguns anos. Os resultados são bons, e o ponto crítico é a adesão à órtese, porque é ela que evita a recidiva.

Escoliose do adolescente

A escoliose idiopática do adolescente costuma aparecer na fase de estirão, é mais frequente em meninas e geralmente não dói. Ela é notada por assimetria dos ombros, da cintura ou das escápulas, e fica mais evidente quando a pessoa se inclina para a frente.

O que muda o rumo. Em curvas que ainda estão em risco de progressão, durante o crescimento, o colete tem evidência de reduzir a chance de a curva chegar ao ponto de indicação cirúrgica, e o benefício aumenta com as horas de uso por dia. Isso foi demonstrado em um ensaio clínico que precisou ser interrompido antes do previsto porque o resultado a favor do colete já era claro. Fisioterapia específica ajuda em sintomas e postura, mas não substitui o colete quando ele está indicado.

Curvas grandes, com progressão importante, podem chegar a indicação cirúrgica. O acompanhamento durante o crescimento é o que permite decidir na hora certa, e é por isso que a avaliação precoce importa mesmo quando não dói nada.

Fraturas na criança

Osso de criança quebra diferente e cola diferente. Ele é mais elástico, o que produz fraturas em galho verde, e tem uma capacidade de remodelação que permite aceitar desvios que seriam inaceitáveis em adultos, principalmente em crianças pequenas e em desvios no mesmo plano de movimento da articulação.

Isso é uma boa notícia, com uma exceção importante: fraturas que atravessam a placa de crescimento exigem atenção especial, porque podem alterar o crescimento daquele osso e gerar diferença de comprimento ou desvio de eixo com o tempo. Por isso o acompanhamento depois da consolidação faz parte do tratamento.

Cotovelo merece um parágrafo próprio: a fratura supracondiliana do úmero, típica de queda do trampolim ou do escorregador, pode comprometer nervos e vasos e é uma das poucas fraturas pediátricas que costumam exigir cirurgia com urgência.

Quando levar ao ortopedista

Vale marcar consulta quando houver assimetria entre os lados, quando o desvio piora em vez de melhorar com a idade, quando existe dor que atrapalha brincar, quando a criança evita usar um braço ou uma perna, quando há história familiar de doença ortopédica, ou quando a escola aponta assimetria de ombros no adolescente.

Procure atendimento imediato se a criança apresentar

  • Febre com dor intensa em uma articulação e recusa de mover o membro.
  • Recusa de andar ou de apoiar o peso, sem explicação clara.
  • Deformidade visível, dor forte ou inchaço rápido depois de queda.
  • Dor que acorda a criança à noite de forma persistente, com perda de peso ou palidez.
  • Perda de força, dormência ou mão e pé frios depois de trauma ou de gesso.
  • Inchaço de uma articulação que aparece em poucas horas.

Nesses casos, procure um pronto atendimento. Em emergência, ligue 192.

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Perguntas frequentes

Meu filho tem pé chato, precisa de palmilha?

Na grande maioria dos casos, não. O pé chato flexível é comum na infância e o arco tende a se formar até por volta dos 6 a 8 anos. Estudos mostram que palmilhas não moldam o arco nem alteram o resultado final nesses casos. A avaliação é indicada quando o pé é rígido, dói, é assimétrico ou vem acompanhado de outros achados.

Dores de crescimento existem mesmo?

Existem e são comuns entre 3 e 12 anos. O padrão típico é dor nas duas pernas, no fim do dia ou à noite, que melhora com massagem e some pela manhã, sem manqueira e sem inchaço. O que não é dor de crescimento é dor de um lado só, dor em um ponto específico, febre, inchaço, manqueira ou dor que atrapalha durante o dia.

Criança que manca precisa ir ao médico no mesmo dia?

Se houver febre, recusa de mover o membro ou dor intensa, sim, e sem esperar, porque artrite séptica é emergência. Manqueira sem febre e sem sinais de gravidade merece avaliação em poucos dias. Manqueira nunca deve ser tratada como coisa passageira apenas porque a criança está brincando entre as crises.

Mochila pesada causa escoliose?

Não. A escoliose idiopática do adolescente não é causada por mochila, por postura sentada nem por dormir de lado. Mochila muito pesada pode causar dor nas costas por sobrecarga, o que é motivo suficiente para ajustar o peso, mas não altera a formação da curva.

Meu filho reclama do joelho e o exame do joelho deu normal. E agora?

O quadril precisa ser examinado. Em crianças e adolescentes, doenças do quadril como Perthes e epifisiólise se manifestam frequentemente com dor referida no joelho ou na coxa. Essa é uma das armadilhas clássicas da ortopedia pediátrica, e o atraso no diagnóstico tem consequências.

Colete funciona na escoliose?

Sim, quando indicado corretamente durante o crescimento. Um ensaio clínico importante mostrou redução significativa da progressão até o limiar cirúrgico com o uso do colete, com benefício maior quanto mais horas por dia ele era usado. Não é confortável, mas é uma das intervenções ortopédicas com evidência mais clara na adolescência.

Para levar daqui

  • Boa parte dos desvios de perna e de marcha na infância é variação normal e se corrige com o crescimento.
  • Palmilha não cria arco em pé chato flexível de criança.
  • Dor de crescimento é bilateral, noturna e some de manhã; fora desse padrão, investigue.
  • Criança que manca com febre é emergência até prova em contrário.
  • Dor no joelho de criança e adolescente exige exame do quadril.
  • Colete tem evidência de reduzir a progressão da escoliose durante o crescimento.
  • Fratura que envolve a placa de crescimento precisa de acompanhamento depois de consolidar.

Referências

  1. Weinstein SL et al. Effects of bracing in adolescents with idiopathic scoliosis, BrAIST. New England Journal of Medicine, 2013.
  2. Evans AM, Rome K. A review of the evidence for non-surgical interventions for flexible pediatric flat feet. European Journal of Physical and Rehabilitation Medicine.
  3. American Academy of Pediatrics. Clinical report on the evaluation and referral for developmental dysplasia of the hip in infants.
  4. Kocher MS et al. Differentiating between septic arthritis and transient synovitis of the hip in children. Journal of Bone and Joint Surgery.
  5. Dobbs MB, Gurnett CA. Update on clubfoot: etiology and treatment. Clinical Orthopaedics and Related Research.
  6. Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Informações ao público sobre ortopedia pediátrica.

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